Mais de 20 pacientes recuperam movimentos com tratamento experimental criado cientista brasileira

A pesquisa brasileira com a molécula polilaminina tem chamado atenção no país por oferecer uma nova esperança no tratamento de lesões medulares, tradicionalmente consideradas irreversíveis pela medicina. O composto, desenvolvido pela bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), atua estimulando a reconexão dos circuitos neurais danificados na medula espinhal, criando um ambiente propício para que axônios e neurônios voltem a se comunicar e, potencialmente, devolvendo movimento ao corpo.

Em janeiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início da fase 1 de estudos clínicos em humanos com a polilaminina, considerado um marco regulatório e científico para o país. Essa etapa inicial será conduzida com cinco voluntários adultos que sofreram lesões agudas completas da medula espinhal, com lesões torácicas recentes, e tem como objetivo avaliar a segurança do tratamento e possíveis riscos.

Além dos ensaios oficiais, a substância também foi utilizada em regime de uso compassivo, com autorização judicial para pacientes sem outra opção terapêutica. De acordo com relatos recentes, mais de 20 pacientes que estavam paralisados conseguiram recuperar movimentos após receber o tratamento experimental em diferentes regiões do Brasil — número superior aos seis casos inicialmente divulgados em contexto acadêmico.

Relatos de pacientes e familiares têm circulado nas redes e na mídia, incluindo histórias de recuperação parcial ou significativa de movimentos, reacendendo esperanças para pessoas com paraplegia ou tetraplegia e suas famílias.

Especialistas e os próprios pesquisadores ressaltam, no entanto, que os resultados ainda são preliminares e que é necessário acompanhar a evolução dos pacientes e os dados de segurança clínica com rigor antes de confirmar a eficácia definitiva do tratamento para uso amplo.

A polilaminina é produzida no Brasil em parceria com o laboratório Cristália e segue sob avaliação regulatória e científica, com expectativa de que as próximas fases clínicas possam confirmar seu potencial na medicina regenerativa para lesões medulares.

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