A advogada Carolina Câmara, de Goiânia, fez um relato desesperador nas redes sociais sobre o caso de violência doméstica que afirma sofrer do ex-companheiro e revelou ter desistido das medidas protetivas após falhas no sistema.
Carolina afirma que fez mais de 13 denúncias, pediu ajuda e confiou na Justiça, mas continua vivendo sob medo constante. Segundo ela, chegou a ser incentivada por policiais a tornar o caso público.
“Eu ouvi dentro da delegacia que ele ia me matar. E que precisava tornar o caso público para que algo fosse feito”, afirmou.
De acordo com a advogada, mesmo com denúncias e registros, o agressor — que usa tornozeleira eletrônica — continuou descumprindo as determinações judiciais. Ela relata que acionou o botão do pânico mais de 50 vezes, sem resposta efetiva.
Em desabafo nas redes sociais, Carolina publicou o seguinte relato:
“Eu fiz tudo.
Denunciei. Pedi ajuda. Foram mais de 13 denúncias.
Pedi medidas protetivas. Confiei no sistema.
E mesmo assim, continuei com medo.
Ele foi preso em flagrante depois que eu cheguei ensanguentada no IML. Já tinha histórico de violência. Nada disso foi suficiente.
O que veio depois foi pior: aproximações constantes, contatos, botão do pânico disparando de madrugada. Um terror psicológico diário.
Eu liguei. Informei. Pedi socorro.
Durante meses, a polícia foi ao local uma única vez.
Os descumprimentos? Tratados como ‘percursos’.
Em uma cidade do tamanho de Goiânia, onde é óbvio que dá pra evitar certos caminhos.
A polícia foi três vezes ao prédio dele. Ele não estava.
A resposta foi retirar a medida.
Qual é a lógica?
Eu ouvi dentro da delegacia que ele ia me matar.
Ouvi que precisava ‘levar a público’ pra que algo fosse feito.
Hoje eu entendo por que tantas mulheres morrem.
Não é falta de denúncia.
Não é falta de prova.
Não é falta de coragem.
É um sistema que falha.
Eu sou mais uma que o sistema fez desistir. Porque eu não aguento mais.”
O caso reacende o debate sobre a eficácia das medidas previstas na Lei Maria da Penha e a necessidade de fiscalização no cumprimento das decisões judiciais.
Foto: Reprodução / Redes Sociais