Governo estuda adotar modelo dos EUA para unificar comando e orçamento das Forças Armadas

O Ministério da Defesa e a área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) discutem uma proposta de reformulação da governança das Forças Armadas que pode fortalecer o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), centralizando o planejamento estratégico, o orçamento e a definição de prioridades militares. O modelo é inspirado na estrutura do Departamento de Defesa dos Estados Unidos (Pentágono).

Pelas recomendações, o ministro da Defesa passaria a ter maior autoridade sobre a política de Defesa, enquanto os comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica manteriam o comando operacional, administrativo e disciplinar de suas respectivas Forças. A proposta também prevê maior integração entre os projetos estratégicos e a distribuição de recursos, reduzindo decisões isoladas por cada força.

O relatório técnico do TCU aponta que o atual modelo, baseado no consenso entre os integrantes do Conselho Superior de Governança do Ministério da Defesa, dificulta a definição de prioridades nacionais e favorece a disputa por recursos entre as três Forças. A recomendação é que o planejamento seja unificado e compatível com a capacidade orçamentária do país.

Apesar da comparação com o Pentágono, o Brasil já possui um órgão de coordenação conjunta: o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), criado em 2010. A proposta em discussão busca ampliar suas atribuições, tornando-o responsável por coordenar de forma mais integrada o planejamento estratégico e os grandes programas militares.

As mudanças ainda não estão em vigor. O relatório será analisado pelo plenário do TCU e, caso aprovado, dependerá de medidas do Poder Executivo para alterar a estrutura de governança do Ministério da Defesa.

Foto: Reprodução