Os Estados Unidos confirmaram a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, ampliando a tensão comercial entre os dois países. A medida entra em vigor no próximo dia 22 de julho e atinge milhares de itens exportados pelo Brasil para o mercado norte-americano.
Segundo o governo dos Estados Unidos, a decisão foi tomada após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que apontou supostas práticas comerciais consideradas desleais por parte do Brasil.
Apesar do aumento das tarifas, alguns dos principais produtos da pauta de exportação brasileira ficaram de fora da medida, entre eles café, carne bovina e celulose. Por outro lado, diversos produtos industrializados e manufaturados serão impactados, o que preocupa empresários e exportadores.
Em resposta, o governo brasileiro anunciou um pacote de medidas para reduzir os efeitos do tarifaço. Entre as ações estão a ampliação de linhas de crédito para empresas exportadoras, reforço ao Programa de Financiamento às Exportações (Proex) e a solicitação de mais R$ 7,25 bilhões ao Ministério da Fazenda para fortalecer a atuação do BNDES no apoio aos setores atingidos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a decisão dos Estados Unidos e afirmou que o Brasil utilizará a Lei da Reciprocidade Econômica para responder às restrições comerciais. O governo também estuda recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar a medida.
Levantamentos divulgados nesta sexta-feira (17) indicam que o Brasil poderá ficar entre os países mais afetados pelas novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que cerca de 20 estados brasileiros poderão sofrer impactos nas exportações, principalmente nos setores de máquinas, equipamentos, produtos químicos e manufaturados.
Enquanto isso, representantes dos dois governos mantêm negociações diplomáticas na tentativa de reduzir os efeitos da medida antes da entrada em vigor das novas tarifas, prevista para a próxima terça-feira (22).
Foto: Reprodução/O Globo