O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) ofereceu denúncia e o Judiciário potiguar tornou rés três pessoas investigadas por envolvimento em um esquema criminoso na 1ª Vara Regional de Execução Penal. A decisão acolhe o pedido ministerial formulado contra a ex-servidora terceirizada Mayara Pereira Silva, o apenado Israel de Andrade Maciel e o advogado Evandson Domingos Gomes. O MPRN não identificou quaisquer indícios de participação de outros servidores ou autoridades do Tribunal de Justiça do RN com os crimes cometidos pela ex-servidora.
A denúncia oferecida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRN) é fruto da operação Entre Dois Mundos, deflagrada pelo MPRN no dia 11 de dezembro de 2025. A ação contou com o apoio da Polícia Militar potiguar, do Ministério Público da Paraíba e com o suporte técnico do Grupo de Segurança Institucional do TJRN.
A investigação apurou a infiltração de uma organização criminosa no sistema judiciário potiguar para beneficiar integrantes da facção Sindicato do Crime. O esquema envolvia o uso das funções da agora ex-servidora pública, a intermediação do apenado apontado como liderança e o fornecimento de credenciais por parte do advogado.
O esquema
A ex-servidora terceirizada Mayara Pereira Silva atuava como assessora jurídica no gabinete e utilizava o acesso ao Sistema Eletrônico de Execução Unificado para alterar movimentações e elaborar minutas de decisões. Ela realizou intervenções manuais no sistema para direcionar o processo de execução penal do seu companheiro para um juiz substituto durante as férias do juiz titular, resultando na concessão de progressão de regime e na retirada da tornozeleira eletrônica do detento.
Além de atuar no processo do companheiro, a investigada elaborava petições para outros detentos da facção, consultava prontuários no sistema prisional repassava informações sigilosas que tinha acesso em razao do cargo, para membros integrantes da facção criminosa.
Crimes cometidos
Mayara Pereira Silva responde pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, advocacia administrativa, violação de sigilo funcional e lavagem de dinheiro.
O réu Israel de Andrade Maciel cooptou sua companheira para atuar dentro da vara de execução penal a favor dos interesses do grupo criminoso. Ele atuava como agenciador do esquema, oferecendo facilidades judiciais a outros detentos do grupo criminoso, além de gerenciar o comércio de drogas e negociar armas de fogo. No processo criminal, Israel de Andrade Maciel responde pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas de fogo. O réu utilizava contas bancárias de terceiros para lavar valores do tráfico e participava de deliberações sobre o caixa e ações do grupo.
O advogado Evandson Domingos Gomes facilitava o esquema ao ceder seu certificado digital para que a ex-servidora realizasse peticionamentos judiciais da própria residência. O advogado também utilizava o acesso aos estabelecimentos prisionais para atuar como mensageiro entre lideranças presas e membros soltos, transmitindo ordens e planilhas contábeis, recebendo pagamentos em dinheiro e entorpecentes. Evandson Domingos Gomes responde pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, corrupção ativa, advocacia administrativa, violação de sigilo funcional, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas de fogo.
Durante o cumprimento dos mandados da operação, as equipes apreenderam celulares, um notebook, o certificado digital do advogado, dinheiro em espécie, uma arma de fogo e munições. Ao término das investigações promovidas pelo MPRN, não foram identificados quaisquer indícios de participação de outros servidores ou autoridades do TJRN com os crimes cometidos pela ex-servidora.
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