A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15) foi marcada por discussões entre ministros, troca de acusações e terminou sem uma decisão sobre a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes por sua suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
O julgamento começou com a análise de uma questão de ordem apresentada pelo ministro Gilmar Mendes, que defendeu que o caso envolvendo Moraes fosse analisado junto com o processo que apura supostas irregularidades na atuação de André Mendonça. A proposta recebeu votos favoráveis de Gilmar, Moraes e Cristiano Zanin, enquanto Edson Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram contra. O placar provisório ficou em 4 a 3 pela análise separada dos casos.
A votação, porém, foi interrompida após o ministro Flávio Dino pedir vista do processo. Com isso, a análise ficou suspensa e poderá permanecer parada por até 90 dias. Dino afirmou que não havia condições de continuar a deliberação diante do clima no plenário.
Mensagens envolvendo Moraes e Vorcaro
O caso chegou ao STF após a Polícia Federal identificar, durante a análise do celular de Daniel Vorcaro, mensagens trocadas com um número atribuído a Alexandre de Moraes. Segundo a Agência Brasil, foram identificadas cerca de 50 mensagens entre o número e o banqueiro antes da prisão de Vorcaro, em novembro de 2025.
As informações foram encaminhadas ao STF durante a investigação relacionada ao Banco Master. André Mendonça, que inicialmente era o relator do caso, solicitou à Polícia Federal um relatório sobre os dados encontrados no aparelho.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também foi citado nas informações extraídas do celular. Durante a sessão, Gonet afirmou que encontrou Vorcaro apenas uma vez e que o encontro foi breve e banal. Ele também negou ter mantido contato com o banqueiro nos termos sugeridos durante o debate.
Bate-boca entre Gilmar Mendes e André Mendonça
A manifestação de Gonet acabou provocando um dos momentos mais tensos da sessão.
André Mendonça fez questionamentos sobre as informações envolvendo o procurador-geral. Gilmar Mendes reagiu e classificou as ilações contra Gonet como “leviandade”. O ministro também acusou Mendonça de agir com “sentimento policialesco” e afirmou: “É impressionante a desfaçatez desse sujeito”.
Mendonça reagiu e pediu respeito ao colega. Durante a discussão, Gilmar respondeu: “Pode chorar”. Mendonça rebateu que não havia choro na situação. O bate-boca interrompeu o andamento normal da sessão.
Divergências sobre a condução do processo
Outro ponto de tensão envolveu a decisão de Edson Fachin de retirar Mendonça da relatoria do caso e assumir a condução do processo.
Flávio Dino criticou a forma como o procedimento vinha sendo conduzido e afirmou que houve problemas relacionados ao rito e ao devido processo. Alexandre de Moraes também defendeu que os casos envolvendo ele e Mendonça fossem analisados conjuntamente, alegando que os fatos e elementos de prova se sobrepõem.
Fachin, por sua vez, manteve a decisão de tratar inicialmente o caso de Moraes de forma separada.
Toffoli e Nunes Marques não votaram
Os ministros Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques não participaram da votação sobre a questão de ordem.
Toffoli declarou-se suspeito em processos relacionados ao Banco Master. Já Nunes Marques declarou-se impedido e deixou o plenário. Ele afirmou que sua prioridade constitucional, na condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é atuar para garantir o equilíbrio das eleições de 2026.
Julgamento continua sem decisão
Com o pedido de vista de Flávio Dino, o STF não decidiu se Alexandre de Moraes deverá ser investigado. A sessão terminou com o processo suspenso e sem conclusão sobre o mérito das acusações.
O episódio também expôs divergências entre os ministros sobre a condução dos procedimentos envolvendo Moraes, Mendonça, a Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e as informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro.
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