A discussão sobre as apostas esportivas e os jogos on-line no Brasil vai além do dinheiro movimentado pelas plataformas e dos impactos sobre clubes de futebol. Levantamentos e dados oficiais mostram que as bets também estão relacionadas a endividamento, problemas de saúde mental e conflitos dentro das famílias.
Dados analisados pelo Banco Central apontaram que as famílias brasileiras tiveram uma perda líquida de cerca de R$ 62,5 bilhões com apostas em 2025, considerando a diferença entre o valor apostado e o dinheiro recebido em prêmios.
O impacto também aparece entre famílias de baixa renda. Segundo levantamento citado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), cerca de 5 milhões de pessoas de famílias beneficiárias do Bolsa Família enviaram aproximadamente R$ 3 bilhões para plataformas de apostas em agosto de 2024.
Na área da saúde, o Ministério da Saúde cita dados do III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD), segundo os quais 7,3% das pessoas que já apostaram apresentaram comportamento de jogo de risco ou problemático. O levantamento também estima cerca de 900 mil pessoas com esse tipo de comportamento.
Os efeitos não ficam restritos ao apostador. De acordo com nota técnica do Ministério da Saúde, o jogo problemático pode estar associado a endividamento, perda de emprego, problemas de saúde mental, violência doméstica e rompimento de vínculos familiares. A pasta aponta ainda que, para cada pessoa que desenvolve transtorno do jogo, outras seis podem ser afetadas.
Uma pesquisa Febraban/Ipespe realizada em dezembro de 2024 mostrou que 40% dos entrevistados disseram conhecer familiares ou pessoas próximas que contraíram dívidas por causa das apostas. Entre essas pessoas, 45% afirmaram que a situação afetou a qualidade de vida delas ou da família.
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