Presidente do Paraguai renuncia após escândalo financeiro que afetou quase 3 milhões de clientes

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5), em meio a uma grave crise financeira envolvendo o Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do país. A saída ocorreu enquanto a Câmara dos Deputados analisava um processo de impeachment contra o chefe de Estado.

A crise começou na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank e iniciou o processo de liquidação da instituição, após identificar problemas graves nos índices de solvência. A medida deixou aproximadamente 2,9 milhões de clientes sem acesso imediato às contas, cartões e aplicativos bancários.

O banco administrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos previdenciários. A situação provocou protestos, filas nas agências e preocupação entre os clientes que tentavam recuperar suas economias e salários.

Peña passou a ser alvo de acusações de conflito de interesses porque foi acionista do grupo controlador do banco até março de 2025. Parlamentares da oposição também levantaram suspeitas de favorecimento empresarial, uso irregular de recursos previdenciários e falhas na fiscalização da instituição.

O escândalo levou à prisão de oito executivos ligados ao banco. A Procuradoria também formalizou acusações contra 27 pessoas envolvidas no caso e determinou o bloqueio de bens.

A crise provocou ainda a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que havia sido nomeado por Peña em 2023.

Pouco antes da votação do impeachment, Peña anunciou sua saída e pediu desculpas à população. Em sua manifestação, afirmou que tomou a decisão para preservar a estabilidade do país e as instituições democráticas.

A Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a abertura do processo de impeachment, por 78 votos. A decisão seguiu para o Senado, responsável por avaliar a situação institucional. O vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir a Presidência, conforme as regras constitucionais.

O governo também anunciou medidas para acelerar a devolução dos valores aos clientes afetados pela crise bancária.

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