ARTIGO – Vingt-un “desomenageado”

Há quase mais ou menos um mês, um movimento dos artistas de Mossoró na Câmara Municipal de Mossoró permitiu vereadores a reverem suas posturas quanto a recursos para a cultura local. Em meio aquele rebuliço, qual não foi a minha surpresa descobrir que um dos maiores ícones da cultura local, senão o maior, o editor da Coleção Mossoroense e escritor Vingt-un Rosado, teve a lei que levava o seu nome revogada assim, sem qualquer discussão e sem alarde.

Isso mesmo, Vingt-un foi simplesmente desomenageado pela lei 082, de 2013, que instituiu o Sistema Municipal de Cultura, assinada pela então prefeita Cláudia Regina. A Lei Vingt-un Rosado (016/2007), assinada por Fafá Rosado e que versa sobre a destinação de parte do ISS de empresários locais para o setor cultural foi colocada dentro da 082, perdendo assim seu objeto de existir.

Em conversas com artistas locais, parece-me que eles não veem nenhum problema nisto, afinal o propósito da lei anterior foi mantido e isto é o que vale. Para mim não. Vingt-un foi um dos maiores incentivadores da literatura de Mossoró, lançando muitos novos escritores da cidade e do Estado com dinheiro do próprio bolso, não se pode estudar a história de Mossoró sem que se passe por uma obra da Coleção Mossoroense.

Me impressionou ainda que não vi qualquer discussão sobre esta “desomenagem” a Vingt-un, fazendo assim com que instituições tenham simplesmente e solenemente deixado passar em branco tamanho desrespeito.

Dix-sept Sobrinho, filho de Vingt-un e diretor da fundação da qual o pai é patrono não sabia, imagino que a Academia Mossoroense de Letras, o Instituto Cultural do Oeste Potiguar e tantas outras agremiações que ele ajudou a criar também não tenha tomado conhecimento desta afronta a quem tanto fez pela cultura de Mossoró. Parabéns aos envolvidos!

 

Por Caio César Muniz.

Jornalista e poeta.

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