Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, o Brasil registrou um novo recorde de feminicídios em 2025. Foram 1.571 mulheres assassinadas por razões de gênero, o maior número desde o início da série histórica, em 2015. O total representa um aumento de 4% em relação a 2024, quando foram registrados 1.510 casos. Na média, quatro mulheres foram vítimas de feminicídio por dia no país.
O levantamento também aponta que houve 4.189 tentativas de feminicídio em 2025, um crescimento de 6% em comparação ao ano anterior. Enquanto os homicídios dolosos no Brasil caíram para o menor índice dos últimos 13 anos, a violência letal contra as mulheres seguiu em alta.
De acordo com o estudo, a maioria dos feminicídios ocorreu dentro da residência da vítima e foi praticada por pessoas próximas. Quase 80% dos assassinatos tiveram como autores companheiros ou ex-companheiros, reforçando que o ambiente doméstico continua sendo o principal cenário desse tipo de crime.
O perfil das vítimas revela que:
- 65% eram mulheres negras;
- a faixa etária mais atingida foi a de 25 a 29 anos;
- a maioria foi morta por meio de arma branca ou arma de fogo;
- em grande parte dos casos, havia histórico de violência doméstica anterior.
O Anuário também chama atenção para o aumento de outros crimes contra mulheres. Em 2025, o Brasil registrou:
- 87.545 casos de estupro de mulheres;
- mais de 1 milhão de medidas protetivas de urgência concedidas pela Justiça;
- crescimento dos registros de perseguição (stalking), violência psicológica e descumprimento de medidas protetivas.
Os pesquisadores destacam que o feminicídio, na maioria das vezes, é o desfecho de um ciclo contínuo de violência. Por isso, defendem o fortalecimento da rede de proteção às mulheres, o cumprimento efetivo das medidas protetivas, a ampliação de políticas públicas de prevenção e a responsabilização rápida dos agressores.
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