“Eu vou rasgar o pacto porque eu quero que saia no jornal que quem rasgou o pacto fui eu… Se as pessoas morrem é porque não estão seguindo o Santo Evangelho.”
A declaração é da deputada estadual Dra. Silvana (PL-CE), que rasgou o Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento do Feminicídio durante sessão na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), na última quinta-feira (5/2). Segundo a parlamentar, o documento “ignora o papel das igrejas no combate à violência contra a mulher”.
O pacto foi lançado pelo governo federal na quarta-feira (4/2). Em discurso, Silvana afirmou que a ausência das instituições religiosas tornaria o programa ineficaz e disse que os casos de feminicídio ocorreriam porque as pessoas “não estão seguindo o Santo Evangelho”.
Evangélica e líder do Partido Liberal na Alece, a deputada também atacou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), responsável pela criação do pacto. Segundo ela, a atual gestão promove uma “queda de braço entre homens e mulheres”.
Para Silvana, a iniciativa está fadada ao fracasso por não prever a participação direta das igrejas. “Durante o governo petista, o número de feminicídios só aumentou”, afirmou. “Enquanto não incluir Deus, a igreja e a família, não vai ajudar a combater o feminicídio.”
Em contraponto, a deputada estadual Larissa Gaspar (PT-CE) criticou a atitude e lamentou a destruição do documento. Segundo ela, o pacto é uma iniciativa institucional entre os Poderes, mas outros setores, inclusive religiosos, podem ser chamados a contribuir em diferentes momentos.
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