O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, interveio diretamente na crise interna da Corte após uma sequência de decisões conflitantes envolvendo os ministros Alexandre de Moraes, André Mendonça e Flávio Dino e a direção da Polícia Federal (PF).
Nesta quarta-feira (9), Fachin suspendeu as decisões de Mendonça e Dino sobre o comando da Polícia Federal e manteve Andrei Rodrigues no cargo de diretor-geral da corporação. A medida ocorreu depois que Mendonça havia determinado o afastamento de Rodrigues e, posteriormente, Dino decidiu pela sua reintegração.
A disputa está relacionada às investigações do caso Banco Master e ganhou força após a divulgação de informações extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O material passou a envolver diretamente ministros do Supremo e provocou um confronto entre diferentes alas da Corte.
Mendonça havia determinado o afastamento de Andrei Rodrigues sob a alegação de que a Polícia Federal teria praticado irregularidades na condução de investigações. Flávio Dino, por sua vez, anulou a decisão e determinou o retorno do diretor-geral ao cargo, argumentando que o afastamento poderia prejudicar investigações em andamento.
Diante do conflito, Fachin decidiu suspender as duas decisões e afirmou que a sucessão de determinações criou uma situação de grave instabilidade institucional.
O presidente do STF também retirou de Alexandre de Moraes a relatoria do chamado inquérito das fake news, que está em tramitação desde 2019. O próprio Fachin assumiu a relatoria do processo e informou que pretende analisar as pendências antes de decidir os próximos passos. Os atos praticados anteriormente por Moraes foram preservados.
A decisão ocorre em meio a questionamentos sobre a relação de Moraes com Daniel Vorcaro. Entre os elementos que estão sendo analisados estão mensagens atribuídas aos dois e informações sobre um contrato de R$ 130 milhões envolvendo o Banco Master e o escritório da esposa de Moraes.
Fachin também determinou que novos procedimentos de investigação envolvendo ministros do Supremo dependam de autorização da Presidência da Corte, enquanto o caso é analisado.
O plenário do STF foi convocado para uma sessão extraordinária na próxima terça-feira (15). Os ministros deverão discutir o relatório da Polícia Federal e os desdobramentos da crise.
A sequência de decisões expôs uma divisão incomum dentro do Supremo e colocou a própria Polícia Federal no centro da disputa. Para analistas, o episódio representa uma das mais graves crises institucionais recentes enfrentadas pela Corte.
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