A Medida Provisória que proibiu as bets no Brasil abriu uma nova frente de impacto no futebol e no mercado de influência digital. Além de determinar o fim das apostas de quota fixa, o texto proíbe publicidade, propaganda, marketing e patrocínio de casas de apostas em meios físicos e digitais.
No futebol, o impacto financeiro é significativo. Empresas do setor são patrocinadoras master de 14 dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro em 2026. Segundo levantamento divulgado pelo UOL, os aportes das bets nos clubes da elite somaram R$ 1,14 bilhão em 2025, equivalente a 7,9% das receitas dos clubes.
Flamengo e Fluminense estão entre as equipes que se manifestaram após a publicação da MP. O Flamengo afirmou que a mudança pode afetar receitas de patrocínio, publicidade nos estádios e também o mercado de transmissão esportiva.
A repercussão também chegou aos influenciadores digitais. A nova regra atinge conteúdos de publicidade e promoção de bets direcionados ao público brasileiro, independentemente do formato ou da forma de remuneração. Na prática, isso inclui as chamadas “publis” feitas por criadores de conteúdo para divulgar plataformas de apostas.
Nomes como Carlinhos Maia, Mari Menezes e Jon Vlogs aparecem entre os influenciadores que mantêm ou mantiveram relação comercial com empresas do setor.
A publicidade de bets já vinha sendo alvo de questionamentos de órgãos públicos. Em setembro, o Ministério Público do Espírito Santo iniciou uma ação preventiva envolvendo celebridades e influenciadores que promovem plataformas de apostas. O jogador Neymar Jr. foi um dos nomes notificados pelo órgão.
A MP também estabelece que novos contratos de publicidade, patrocínio ou promoção comercial do setor não podem ser firmados. Materiais publicitários e sinais de patrocínio já existentes deverão ser retirados dentro do prazo previsto na medida.
A medida provisória já está em vigor, mas ainda será analisada pelo Congresso Nacional.
Foto: Reprodução/O Globo