Um laudo da Polícia Científica do Rio Grande do Norte confirmou a presença das bactérias Salmonella spp. e Escherichia coli em alimentos servidos a detentos de três unidades prisionais de Mossoró. O caso aconteceu em junho e deixou cerca de 500 internos com sintomas como diarreia, vômitos e febre.
As análises foram realizadas pelo Laboratório Central de Saúde Pública do RN (Lacen-RN), a partir de amostras recolhidas pela Vigilância Sanitária de Mossoró. A salmonela foi identificada no cuscuz servido aos presos, enquanto a Escherichia coli também foi encontrada no arroz.
O episódio atingiu a Cadeia Pública de Mossoró e as alas masculina e feminina do Complexo Penal Estadual Agrícola Mário Negócio. Segundo a perícia, os sintomas apresentados pelos detentos são compatíveis com uma doença transmitida por alimentos, incluindo salmonelose não tifoide.
A investigação apontou ainda que as refeições eram preparadas fora das unidades e chegavam prontas para serem distribuídas aos internos. Por isso, a perícia direcionou a provável origem da contaminação para etapas anteriores à chegada dos alimentos aos presídios, como produção, manipulação, acondicionamento, armazenamento ou transporte.
A empresa responsável pelo fornecimento das refeições, a Líder Refeições, contestou o procedimento de coleta das amostras e alegou que o transporte até o laboratório poderia ter provocado alteração na temperatura dos alimentos. A empresa também levantou a possibilidade de contaminação nos ambientes das unidades prisionais.
A Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap) informou que instaurou um procedimento administrativo para apurar eventual descumprimento das obrigações contratuais pela empresa. A pasta também afirmou que mantém fiscalização do serviço e que foram realizadas intervenções na cozinha industrial, além de mudanças na entrega e ampliação do cardápio.
O laudo confirma a contaminação dos alimentos analisados, mas, segundo a própria perícia, os resultados não permitem determinar isoladamente em qual etapa específica ocorreu a contaminação. A apuração administrativa deverá avaliar eventuais responsabilidades.
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