A Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) desenvolve uma pesquisa inovadora voltada ao uso sustentável de recursos hídricos não convencionais no semiárido brasileiro. O projeto “Tecnologias para o uso de água residuária da indústria do petróleo na irrigação de oleaginosas visando a produção de biodiesel no semiárido brasileiro” avalia o potencial da água produzida do petróleo na irrigação do girassol, cultura estratégica para a produção de biocombustíveis.
A água produzida do petróleo é um efluente gerado durante a extração de óleo e gás e, quando adequadamente tratada e monitorada, pode se tornar uma alternativa viável em regiões com forte restrição hídrica. A pesquisa investiga os efeitos desse recurso sobre o crescimento, desenvolvimento e produtividade do girassol, bem como sobre a qualidade das sementes destinadas à extração de óleo, além de avaliar impactos nas propriedades químicas e físicas do solo.
A pesquisa é desenvolvida pelo Núcleo de Pesquisa em Economia de Baixo Carbono (NPCO2), no âmbito de projeto aprovado na Chamada Pública MCTI/FINEP/CT-HIDRO 2022, em parceria com a Mandacaru Energia LTDA. A equipe é composta por pós-doutorandos, uma mestranda e uma doutoranda vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Manejo de Solo e Água (PPGMSA/Ufersa), sob supervisão dos professores Daniel Valadão e Reginaldo Gomes Nobre.
De acordo com o coordenador do projeto, professor Daniel Valadão, a iniciativa une ciência, inovação e sustentabilidade. “Nosso objetivo é gerar conhecimento técnico e científico que permita o uso seguro da água produzida do petróleo na agricultura, especialmente em culturas não alimentícias, contribuindo para a conservação da água doce e para o fortalecimento da bioenergia no semiárido”, destaca.
O vice-coordenador da pesquisa, professor Frederico Ribeiro, ressalta o caráter estratégico do estudo: “Esse projeto dialoga diretamente com a economia circular e com a transição para uma matriz energética mais limpa. Ao integrar agricultura e setor energético, conseguimos transformar um resíduo ambiental em um insumo com valor produtivo, desde que sejam respeitados critérios técnicos e ambientais rigorosos.”
A equipe também é composta pela pós-doutoranda Kleane Targino, que enfatiza o cuidado metodológico adotado ao longo da pesquisa. “Estamos avaliando não apenas a resposta da cultura do girassol, mas também os efeitos no solo ao longo do tempo, como salinidade, sodicidade e disponibilidade de nutrientes, garantindo a sustentabilidade do sistema produtivo.”
Já a doutoranda Fernanda Medeiros destaca a importância do estudo para o avanço da bioenergia no semiárido. “Os resultados esperados podem contribuir para ampliar a produção de matérias-primas destinadas ao biodiesel, reduzindo a pressão sobre recursos hídricos convencionais e promovendo alternativas energéticas adaptadas às condições do semiárido.”
Fonte: Comunicação Ufersa
Foto: Reorodução /Ufersa