O Super El Niño pode provocar cerca de 13,3 mil mortes por calor extremo no Brasil até fevereiro de 2027, segundo relatório do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago, divulgado nesta quarta-feira (23).
O Brasil deve ser o país mais afetado da América Latina e aparece entre os cinco países com maior número estimado de mortes no mundo. Norte e Nordeste concentram as maiores projeções, com destaque para Pará (2,3 mil), Maranhão (1,3 mil), Amazonas (1,2 mil) e Bahia (1,2 mil).
Segundo os pesquisadores, os dias de calor extremo devem quase dobrar até fevereiro de 2027, com temperaturas pelo menos 1,2°C acima do normal. O período mais crítico no Brasil deve ocorrer durante o verão, entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.
O fenômeno, que começou em junho, é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico e pode alterar o regime de chuvas e temperaturas em diferentes regiões.
De acordo com o Inmet, o El Niño deve acentuar a seca nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste durante a primavera. No norte do Nordeste, incluindo áreas do Piauí e do Ceará, há previsão de chuvas mais irregulares e déficit de precipitação. As temperaturas também devem ficar acima da média em praticamente todo o país.
No mundo, o estudo estima cerca de 451 mil mortes acima da média até fevereiro de 2027. Os pesquisadores alertam que esse número pode aumentar caso o fenômeno se prolongue.
Entre as medidas recomendadas para reduzir os impactos estão a emissão de alertas de calor, criação de pontos de hidratação e espaços de resfriamento, além da proteção de idosos, crianças, pessoas vulneráveis e trabalhadores expostos ao sol.
O governo federal também anunciou R$ 64 milhões em crédito extraordinário para ações relacionadas aos efeitos do El Niño, incluindo segurança alimentar e fornecimento de água e alimentos para comunidades afetadas.
*Com informações da Agência Brasil
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