Três gestões vão pautar os debates na TV no Rio Grande do Norte
Por Wellington Morais
Com o encerramento das convenções partidárias e o fim do prazo para o registro das candidaturas, as atenções da política potiguar se voltam para os debates na televisão. Tradicionalmente, a TV Band abre a temporada de debates eleitorais no Brasil desde 1989. Em 2026, não será diferente: o primeiro confronto entre os candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte acontece no próximo domingo, 9 de agosto.
A expectativa é grande para o desempenho de Cadu Xavier, Allyson Bezerra, Álvaro Dias e Robério Paulino. Entre os quatro candidatos, três chegam ao debate carregando a responsabilidade de defender legados administrativos: Álvaro Dias, pela Prefeitura de Natal; Allyson Bezerra, pela Prefeitura de Mossoró; e Cadu Xavier, como representante político da gestão da governadora Fátima Bezerra.
Robério Paulino entra no debate em uma condição diferente. É o único que não precisará prestar contas de uma gestão. Isso lhe dá mais liberdade para confrontar os adversários e concentrar seu discurso na apresentação de propostas. Ao mesmo tempo, terá o desafio de convencer o eleitorado de que suas ideias são viáveis. Entre os candidatos presentes no debate da Band, Robério também é o único que já disputou o Governo do Estado, em 2014, quando obteve 129.616 votos.
No caso de Cadu Xavier, o desafio será convencer o eleitorado dos resultados da atual administração estadual. A avaliação do governo Fátima Bezerra deverá ser um dos principais alvos dos adversários, obrigando o candidato a apresentar indicadores, obras e ações que sustentem o discurso de continuidade.
Álvaro Dias também deverá enfrentar questionamentos sobre sua passagem pela Prefeitura de Natal. O Hospital Municipal, inaugurado durante sua gestão, a situação da engorda de Ponta Negra e, principalmente, os resultados da educação da capital, após a divulgação do IDEB, tendem a ocupar espaço relevante no debate.
Já Allyson Bezerra chega ao confronto em uma posição distinta. A boa avaliação de sua gestão e os resultados administrativos deverão servir como seus principais argumentos. Um dos temas que poderá ser utilizado é a situação da previdência municipal de Mossoró, que encerrou sua gestão com mais de R$ 200 milhões em recursos aplicados. A comparação com outros regimes previdenciários, como a Previ-Natal e o IPERN, ambos enfrentando dificuldades financeiras, poderá surgir naturalmente durante o debate.
Mais do que apresentar propostas para o futuro, os debates de 2026 terão um forte componente de prestação de contas. O eleitor não verá apenas candidatos defendendo projetos de governo, mas também administrações sendo colocadas à prova. Em muitos momentos, o confronto deixará de ser entre nomes e passará a ser entre legados.
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